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quinta-feira, 10 de julho de 2008

A mordida

Ah, mas de todas as bocas que beijei nenhuma equipara saciação como alguma...

Das bocas tantas que beijei eu permeei por cálices longos e extravasados de desejo, repletos de intenção que não cabiam nos lábios e os gestos afloravam-se, para minha comodidade ou repelimento. Ah, foram tantos que minha memória já não se cumpre com tamanha eficiência.
A tranquilidade de outros foram marasmos de fluxos despretenciosos, ou sem linhas de vontade, sem a ânsia pelos sinais da continuidade; eu recai amena, ou abri os olhos para fazer sinestesia e cumprir o gosto. Outros penetrantes tão de leve incluiam a libido percorrendo alta e selvagem, na densidade que cuida sedutora, ou escandalizada libertinagem ao mandamento de instantânea saciação. A dominância dos que me envolviam poderiam-me carregar a encontrá-los no céu de seus paladares, achando do agridoce o vazio; cumprindo o imperfeito para minha amostra tão imprecisa, tão mutável.
As impressões dos lábios me marcavam com linhas de cor, de cansaço, de vontade, desapego e junção. Eu mutei-me pausadamente no emaranhamento de cada pele, sentindo a textura para consolidar minha posição; distante, leve, solta, entregue. Adjetivações das quais só a língua pode sintetizar plena em minha boca.
Senti falta de compreensões das rudezas que me apresentaram sem colher os frutos das combinações; a ligeireza fez repulsa ou frenético ritmo da convulsão dos corpos por mais e mais.

Fechei-me como túmulo e pude delas também sentir o ar de quem espera, e o suspiro de quem me vela, o vento das palavras de quem me carrega fez a secura, o amargo perdurar na mesma insistência da doçura, do apaixonante. Dentre as salivas que provei, lambuzei-me nas possibilidades das decorrências com as excitações do momento percorrendo-me na mais despudorada dos concebimentos.
Deixei-me avulsa e aberta para as descobertas dos intencionados; descobrindo-me nos céus através de um pedaço de matéria, no sorriso e no escarro que me engoliram e me deram líquido para o Graal da poesia.

Não me interessam as palavras para chegar até; a atração como imã impulsiona o pêndulo das conquistas, e todos os cantos e ares propiciam quem se proprõe. Provei para desgustar e regujitar, para calar e ser calada. Sem saber quem sou, rumei por todos os personagens e fiz histórias, criando caminhos e precipícios.


Basta!


As razões não me dizem ao que me saceia, a boca que me falta é a minha própria; para na fluência toda eu silenciar e descobrir nas flores que me cercam, o aroma da perspectiva que grita meu passado e meu destino.

Sem a menor das crenças, com a falta na bagagem; falta-me a boca pra expressar a fome que sinto e que só este tempo incrédulo pode me guardar.

Guarnecer é preservar o que só o silêncio e a inquietude de minha pose pode provocar.
Mordisco agora o insensato dos meus pesares e prazeres; (a)nulo desconhecido.


..........Obrigada por ao abrir meus desejos, deixar a vontade me guiar.
.........................................................In-saciada, Antonina.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ainda volto pra me explicar

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Sabe, me amorteço nas condições de ser variável. Me sinto mais amável fortalecendo espaços pra mim própria connhecer-me e cuidar dos outros com meus braços nos dele; para além de um enlaçamento, mas uma alma corrente.
Quase uma entrega brega de jargão de filmes estrangeiros que pretendem bancar os emocionantes, ou quem sabe uma metáfora poética que sempre consumí mas parece que nunca prosperei. É, talvez esteja eu mesma ainda propensa em alguns desejos soltos, possíveis frustrações; isso parece envolver um certo orgulho que não sei se domino. Caminho aos passos de um andamento meio aleatório em seus procedimentos; a caminhante errada não deixa de progedir - ao que possam encher de boatos as bocas que me gritam insana. Pelo menos minhas estradas não ousaram me deixar entristecida pela falta de orientação.
Minha rudeza quase deixou a marca celeste da ambiguidade da percepção à compreensão isolada do que dividi com quem a merecia quase desmerecendo...
Nem por isso inválidas, recorri as vias práticas do que me ecoava; já sem plano pra avançar ou aquela doce voz pra me agradar sem mais melodia, decidi instalar as minhas na voz dele. Ele que viu a tudo que senti, ou não. Pois tanto ainda me cabe que não mais guardo bagagens pra me abarrotar, beirar enjôo.
Fiquei com as lembranças que não possibilitaram ostentação ou vestimenta, mas foi a que mais sustentou. Quisera então meu eu-lírico contemplar a situação com outra pessoa discritiva, e eis que me enclausuro no cabo de outra despedida.
Não desesperes tua vida em qualquer atentado. Ainda volto pra me dizer nestes ventos que me sopram certos a continuidade; estou à mercê de mim para fugir de você.
Deixo claro que não explicitamente lhe devo satisfações, mas me satisfaço com teu olhar de atenção... Até eu dizer que por fim que já chegamos.
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.............................................................Antonina.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Rasgad(o, a) ao vento

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''Não vou ousar em nenhum momento atentar minha vida por você.
Se por profundo desespero cabo a lhe escrever, é porque a calma de algum amor, de alguma paciência cheia de ternura ainda decidiu se manifestar, declinou em lhe ter.
Sendo que há muito de vida fostes codinome, exatidão, manutenção de sentidos coerentes é mentira para este caso, verdadeiro, se for, é atrito.
Se fujo com tuas bagagens, é por apego das matérias que lhe construiram à mim tua pessoa - que personalidade coube ao vento - que me declina ao passar, moldar as roupas de meu corpo, a ameaça protecionista de minhas escolhas...
Escolhi o vão para preencher o espaço desabrigado, longe do alinhamento padrão da prontidão ao fim de teus atos.
Deixei todo o processo inacabado das atividades para não perderes o ritmo dos dias, e muito menos o peso das mãos que cá te afagam em despedida de carícias, mas cheia de trajetos psicológicos.
Se ao longe fico distinta, se te pareço (não-)estranha, tua organização apenas confundiu lugares. Sem o apoio de tuas mãos, à este pedaço de coração rasgado, os manuscritos de tua inteligência jamais teriam significados, e as encostas na parede não lhe cobrariam os erros e lágrimas que posiciona(ra)m. E que nostalgicamente ideológicos, meus beijos de fim por cá mandados lhe retorcem o comodismo.
Com ódio adocicado, anulo os fatores do tempo e declino-me à esta tua branca visão,

Tua confiança sem palavras, a quem chama(vas) de Antonina.''

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