_Assim que eu te encontro, eu parto meu corpo entre a parte sôfrega, e a que se oferta enquanto deseja; que as fendas sejam abismos, e que se perca de vez a mesma fonte de dor e intensidade, por um sorriso ao fim de noite.
_Declaro que me chames de puta. Que me agarres aos cabelos seja como estejam; presos ou volumosos e livres, são tuas as rédeas ao meu desejo institivo - sublime nos teus gestos de cativo naturais, que na lentidão enlouquece preenchendo aos poucos.
Me devora na expectativa da fome e engole lento ou vorazmente cada poro para que se entenda poços que fazem calda na tua saliva que esbalda a razão lógica que explique a gula.
_E com força tamanha que agüente o estremecer, a textura por um movimento que se aplique único a desejo, para irromper na calma o instinto livre de devorar, ininteligível. Liberta o que floresce o ventre, deixa no cálido o demonstrar tão nu que não se retrata só nos corpos; ensanguente lençóis, abra portas penetrando a casa por teus gemidos, e me encontre no teu gozo estremecida sob o teu corpo._E tão magistral que a forma não explique o que ocorre.
_Esqueça meu nome e rasga esse desejo reprimido em todo o tempo que o pudor caiu sob minhas vestes, recolhe teu saber e desfruta do desengano de dentes famintos entre línguas sem fim. Me devora que puta me deleito na tua cama. Labirintos famintos se escondem nos sussurros dos lençóis.
Antonina.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Assinando lábios
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Aspas vertendo pulsos
A paz é um par de olhos de dentro da gente.
Cego, mudo, opaco, vivendo numa superfície fechada
que mesmo com a palavra não sabe o que é plano, corrente,
à beira de erosão ou de um infinito imaterial.
Uma corrente que não atravessa paredes edificadas com massa espessa de inteções variadas
Não explica a fertilidade do grosso solo debaixo dos pés, com tanta proteção machucando nossos riscos que deveriam ser nossas esperanças mais vívidas
As utopias que pedem peso nos faróis,
nas lacunas, nos bueiros, nos olhares
Mas não fazem parte de um saber, e tampouco podem ser suficientes para não existirem, também.
E daí um corpo entre tantos,
uma dor entre várias,
uma torrente entre cicatrizes e exasperações;
um acúmulo expandido:
Um córrego que não passa, só cruza.
E faz das entrelinhas o dia-a-dia
preescrito em cinzas que o céu dissolve escaldante,
ou enlameia nos pés, caindo de cima.
De uma altura sem pés,
calcificando o asfalto e assim tirando o rumo.
Então os pares se perdem,
os olhos aguam,
as entrelinhas fundas preescrevem o tempo úmido
sem precisar de previsões
E no mesmo tão óbvio,
as pazes esperam.
Cego, mudo, opaco, vivendo numa superfície fechada
que mesmo com a palavra não sabe o que é plano, corrente,
à beira de erosão ou de um infinito imaterial.
Uma corrente que não atravessa paredes edificadas com massa espessa de inteções variadas
Não explica a fertilidade do grosso solo debaixo dos pés, com tanta proteção machucando nossos riscos que deveriam ser nossas esperanças mais vívidas
As utopias que pedem peso nos faróis,
nas lacunas, nos bueiros, nos olhares
Mas não fazem parte de um saber, e tampouco podem ser suficientes para não existirem, também.
E daí um corpo entre tantos,
uma dor entre várias,
uma torrente entre cicatrizes e exasperações;
um acúmulo expandido:
Um córrego que não passa, só cruza.
E faz das entrelinhas o dia-a-dia
preescrito em cinzas que o céu dissolve escaldante,
ou enlameia nos pés, caindo de cima.
De uma altura sem pés,
calcificando o asfalto e assim tirando o rumo.
Então os pares se perdem,
os olhos aguam,
as entrelinhas fundas preescrevem o tempo úmido
sem precisar de previsões
E no mesmo tão óbvio,
as pazes esperam.
Ei-la vida querendo dizer algo que
suspende sempre do entendimento,
mas se faz pelo que se vive!Pontos magoados, se entrecortando -
um entanto fundo demais pra ser só ferida.
Peço linhas duplas, por favor.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Contradições
Ela sentira o peso do mundo forte e denso sob seus olhos,
num céu sem estrelas.
E a transparência desses astros
se iluminando no frágil aguado das lágrimas,
tremulando as saudades que os nervos estiram também.
Uma linha abaixo do corpo, da massa física de destino dado.
Uma linha na terra consumida, consolidada no tempo,
uma vertigem das impressões que um sonho deixa,
marcando o rosto.
Uma linha bem abaixo.
Tênue.
Uma depressão.
"(...) exclamações contidas doíam no seu peito estreito; a incompreensão árdua e asfixiada precipitava seu coração no escuro da noite. (...)
Ela já fora viva, com pequenas resoluções a cada minuto — brilhava seu olho fatigado e colérico (...)''
E nada se explicará tão cedo.
Nenhuma palavra sob as linhas.
... Que não seja o contorno do leito.
num céu sem estrelas.
E a transparência desses astros
se iluminando no frágil aguado das lágrimas,
tremulando as saudades que os nervos estiram também.
Uma linha abaixo do corpo, da massa física de destino dado.
Uma linha na terra consumida, consolidada no tempo,
uma vertigem das impressões que um sonho deixa,
marcando o rosto.
Uma linha bem abaixo.
Tênue.
Uma depressão.
"(...) exclamações contidas doíam no seu peito estreito; a incompreensão árdua e asfixiada precipitava seu coração no escuro da noite. (...)
Ela já fora viva, com pequenas resoluções a cada minuto — brilhava seu olho fatigado e colérico (...)''
E nada se explicará tão cedo.
Nenhuma palavra sob as linhas.
... Que não seja o contorno do leito.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
A Plataforma
Essa vida é de tanto desgaste, que sequer interpreto como mistério visar entre a corrente dos dias, a grandeza do desconhecido; é a apatia mediante o inevitável, mecanismo da chave que só abre as portas dos sonhos, para criar ilusões.
A plataforma ressoa com força essas vibrações todas nos veículos ecoando milimétricas escalas de horários, o caos organiza-se enfileirado, e mediante as paradas metálicas, os espermatozóides explodindo em vida que não quer ser desperdiçada. Correm contra o tempo, e na sua medida, todas as conveniências para comportar o social aceptível.
E daí as pernas pendem tortas e hilárias, os esforços fastiantes do inútil já revelado: se eu, aqui, parada observo, e por mim os ponteiros lentos se encaixam e não param, porque nessa correnteza cega hei de me arriscar correndo nesse solo bruto, como quem passa no fogo e lento neutro-tom explodindo no frio da noite, correrei à matriz que passa igual a todos?
Quem? Quem? Quem vai chegar primeiro?
A plataforma ressoa com força essas vibrações todas nos veículos ecoando milimétricas escalas de horários, o caos organiza-se enfileirado, e mediante as paradas metálicas, os espermatozóides explodindo em vida que não quer ser desperdiçada. Correm contra o tempo, e na sua medida, todas as conveniências para comportar o social aceptível.
E daí as pernas pendem tortas e hilárias, os esforços fastiantes do inútil já revelado: se eu, aqui, parada observo, e por mim os ponteiros lentos se encaixam e não param, porque nessa correnteza cega hei de me arriscar correndo nesse solo bruto, como quem passa no fogo e lento neutro-tom explodindo no frio da noite, correrei à matriz que passa igual a todos?
Quem? Quem? Quem vai chegar primeiro?
Cedo ou tarde não se diz quando se vive.
(Texto encenado no ''Clube dos Desgraçados", em 30.08.09)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
''Velório sem defunto'' e o defeito do cortejo num grande lamento
-Ah eu já sabia que era triste... sempre fui.
Assim que nasci, me tornei.
E quê fazer? O acaso do mundo não me resolve, apenas aponta a realidade, e aqui estou de mim por ela, ela não faz nada por mim.
Eu que sou triste me decepciono com a alegria que vêm e passa, voltando a ser triste, ao que realmente sou.
E que no fim não é defeito, é minha essência se descobrindo melancólica, nublando os cabelos e aguando olhos, não fugindo do que a natureza pode ser.
O grande vazio é que a vida me contornou a querer, e já não querendo ser triste eu fujo de mim e vou querendo...
Eu já não sei, e me calo. O coração pulsa, e dizem por mim, para que seja de ti, também:
''(...) a tua cabeça está cheia de borboletas estrídulas
(...) E, na verdade, o que eu tenho, é uma alma de violoncelo - grave, profunda, triste...''
( Um desbotado pierrot.)
Assim que nasci, me tornei.
E quê fazer? O acaso do mundo não me resolve, apenas aponta a realidade, e aqui estou de mim por ela, ela não faz nada por mim.
Eu que sou triste me decepciono com a alegria que vêm e passa, voltando a ser triste, ao que realmente sou.
E que no fim não é defeito, é minha essência se descobrindo melancólica, nublando os cabelos e aguando olhos, não fugindo do que a natureza pode ser.
O grande vazio é que a vida me contornou a querer, e já não querendo ser triste eu fujo de mim e vou querendo...
Eu já não sei, e me calo. O coração pulsa, e dizem por mim, para que seja de ti, também:
''(...) a tua cabeça está cheia de borboletas estrídulas
(...) E, na verdade, o que eu tenho, é uma alma de violoncelo - grave, profunda, triste...''
( Um desbotado pierrot.)
sábado, 17 de outubro de 2009
a traição.
Uma rendição sem versos pra lhe dizer de novo que o mundo é cruel e a sua ingenuidade não tem espaço entre o tempo que corre e a lágrima que escorre; o instante-já é uma gorfada, a desistência um embarque, e logo a entrega tola de uma vítima cega;
na claridade de novo, a sombra da escuridão... vindoura do próprio corpo: ela.
Olhar no fundo dos olhos e não achar o chão, porque o ceticismo sabe que não. Porque o medo apavorou até as flores e trouxe o calor, não, não o trouxe, mas é tempo dele; e vem uma chuva sem pés para sustentar o caminho, encharcando tudo, escurecendo o porão do quarto de mofo, tão sujo naquilo que é novo e nostálgico.
Os sonhos embrulhados numa sensação ruim, e AQUILO, de novo.
A fonte dos pensamentos fundida em dor.
De novo o medo.
E a medida transcendendo a realidade para o que é difícil e não se sabe explicar.
Nao há.
A confiança é experimentar. Os riscos corroendo o tempo pra dizer o que não se sabe,
e o que haverá de marcar muito o compasso pra responder com calma e na hora certa o timbre correto e vivenciar o que Ela é
e todos são: palavras.
na claridade de novo, a sombra da escuridão... vindoura do próprio corpo: ela.
Olhar no fundo dos olhos e não achar o chão, porque o ceticismo sabe que não. Porque o medo apavorou até as flores e trouxe o calor, não, não o trouxe, mas é tempo dele; e vem uma chuva sem pés para sustentar o caminho, encharcando tudo, escurecendo o porão do quarto de mofo, tão sujo naquilo que é novo e nostálgico.
Os sonhos embrulhados numa sensação ruim, e AQUILO, de novo.
A fonte dos pensamentos fundida em dor.
De novo o medo.
E a medida transcendendo a realidade para o que é difícil e não se sabe explicar.
Nao há.
A confiança é experimentar. Os riscos corroendo o tempo pra dizer o que não se sabe,
e o que haverá de marcar muito o compasso pra responder com calma e na hora certa o timbre correto e vivenciar o que Ela é
e todos são: palavras.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
E. violetas crescendo paredes
Nas telhas o sol se esgueirava como quem entrega-se esmiuçado ao cansaço de corpo inteiro, e deixa o brilho refletir aos olhos frágeis a brutalidade de um brilhar, na sua vista pouca pelos que se poupam de arriscarem-se ao contemplar. A casa desse limiar confunde o horizonte no seu azul tão profundo, na sua construção edificada com tanto carinho na arquitetura aconchegante e chamativa para a vontade de deixar-se estar, na vontade de abrigo.
E. o trânsito caótico expelindo a fumaça cinza da máquina, o negrume do vidro que reflete também rostos abatidos, e além dos olhos a janela daquele lar, aquele cinza no imenso azul, no oceano infinito e transgressor do habitual, oferecendo grandes, grandes ondas, ainda.
E. um olhar tão vazio. Uma dor que não se explica mas é funda. Uma pérola que brilha sôfrega no olhar distraído, desmedido do que não diz encomodar, mas é força da vida, e uma hora enfraquece a fibra, bem se sabe. E. seus jeans dessa mesma cor. E. o que não se esquece, o que não se esconde em plena luz, até a própria escuridão. A nudez nos mínimos detalhes, E. além dos cortes da moda. E. das limitações pudoradas. E. dos livros que mentem pra deixar aliviadas as mentes que ousam a pender saber que pensam e pensar é um crime difícil de ser digerido com liberdade. E. umas palavras proibidas que saem da boca sem significado, mas assustam quando são verdadeiramente ouvidas. E. não se poupa da estupidez mas se abarrota em ignorância. E. rufam os tambores no relógio, mas não se ouve mais. A hora soou na campanhia que foi assinalada nos dedos que imperceptíveis tracejam o destino.
E assassinou o gelo do olhar com o bafo da porta se abrindo E. o corpo descendo, desestruturando degraus que não são glorificados como podium, mas lhes coloca no mesmo patamar...
Quê adianta não ser E. se parecer? Se confundir pra fazer de conta que está valendo o próprio desperdício com suficiência. E. meu deus, as preces não valem os crucifixos.
A noite chega e as estrelas não se escondem, nem a poética da veia sob o repouso. E. adormece-se na pílula multimídia do tempo colidindo com as imagens reais. E. pernas fracas. E. corpo estendido. E. o que não se cuida mais, se calcifica n'outro dia.
E. ...
E. o trânsito caótico expelindo a fumaça cinza da máquina, o negrume do vidro que reflete também rostos abatidos, e além dos olhos a janela daquele lar, aquele cinza no imenso azul, no oceano infinito e transgressor do habitual, oferecendo grandes, grandes ondas, ainda.
E. um olhar tão vazio. Uma dor que não se explica mas é funda. Uma pérola que brilha sôfrega no olhar distraído, desmedido do que não diz encomodar, mas é força da vida, e uma hora enfraquece a fibra, bem se sabe. E. seus jeans dessa mesma cor. E. o que não se esquece, o que não se esconde em plena luz, até a própria escuridão. A nudez nos mínimos detalhes, E. além dos cortes da moda. E. das limitações pudoradas. E. dos livros que mentem pra deixar aliviadas as mentes que ousam a pender saber que pensam e pensar é um crime difícil de ser digerido com liberdade. E. umas palavras proibidas que saem da boca sem significado, mas assustam quando são verdadeiramente ouvidas. E. não se poupa da estupidez mas se abarrota em ignorância. E. rufam os tambores no relógio, mas não se ouve mais. A hora soou na campanhia que foi assinalada nos dedos que imperceptíveis tracejam o destino.
E assassinou o gelo do olhar com o bafo da porta se abrindo E. o corpo descendo, desestruturando degraus que não são glorificados como podium, mas lhes coloca no mesmo patamar...
Quê adianta não ser E. se parecer? Se confundir pra fazer de conta que está valendo o próprio desperdício com suficiência. E. meu deus, as preces não valem os crucifixos.
A noite chega e as estrelas não se escondem, nem a poética da veia sob o repouso. E. adormece-se na pílula multimídia do tempo colidindo com as imagens reais. E. pernas fracas. E. corpo estendido. E. o que não se cuida mais, se calcifica n'outro dia.
E. ...
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