sábado, 4 de abril de 2009

...tão sozinho de saudade...''

Mas faz tempo que o coração não desperta em paz.

E toda folha de jornal é verdade muda,
do mundo conturbado nos seus sons sem fim,
que não cobrem as onomatopéias da falta...
E o jovem se esbalda na canção que brotou das suas lágrimas,
repleta da dor de seus ouvidos.

Ah saudade,
como te apropriastes do silêncio,
e gozas da solidão pra usar a dor como mais funda maldade
de um corpo pobre, doente coração
da manhã descartável.

sábado, 28 de março de 2009

11:58h

Um par de olhos verdes se olha no espelho e repara o rosto todo abatido pela solidão.
Olha para o lado, avista a Tristeza, e diz:


-Bom dia!

terça-feira, 24 de março de 2009

Do galho mais alto

A morte mais doída foi a do pássaro que cantou tão alto,
que estufou peitos para suspirar, e libertar-se - foi um destes que;
no vôo mais alto, num vento que não pousa em flor
cortou as asas e deu a queda para aquele que mais amou
saber que existia a clamor...
agora geme, sofrido, a falta do professor, que partiu
e levou outras asas, assim que não escutou mais o que é
o horizonte da liberdade nos olhos que lhe querem incomensuravelmente.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Diálogo de suposição

E o Desejo fala para o Contentamento:

- Como posso me satisfazer te apalpando, se não te toco?
...
-O silêncio, como responde?

-Me mata.

...

domingo, 15 de março de 2009

''...If I could be who you wanted, all the time...''

As mãos apalpam, e grudam na textura que depois de decifrada,
é mistério pra alma:
será que guarda sinestesia além desse epitélio?
O epitélio que não passa de um suspense desse desejo que se esconde além de camada sabida
é fonte desejada, indecifrada saciação por matéria em falta. falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.
Pois do que apalpa as mãos, rabiscam as unhas escrevendo anseios
Tintas de secreções minhas, linhas de digitais, únicas humildades dos toques,
habilidades sublimes do acaso que não se escolhe,
mas pede-se para que domine... e além da posse,
é da falta que elas falam pra produzir e gerar o ar
a enfeitar o vácuo em que se esbaldam (vãs), e se fecham, no vazio das mesmas palmas...

Alisam para que entendam,
friccionam para que persista
a conexão suja dos sentidos com o engano
de que a falta sumiu na poeira que não cola nas mãos limpas,
só invade a alma límpida que no móvel imóvel se fixou.

Muda a escrivaninha de lugar,
mas o lugar, continuou;
indelével submissão de dedos,
e o rosto que se esconde neles se esfrega
como bicho no cio
que se comove recriado nas pontas dos dedos e da escrita,
mas sem qualquer salvação.

Deita sobre o leito das palmas unidas
essa impressão que não passou dos instantes,
e estalou nos dedos impacientes
essas palavras abarrotadas, inconsequentes,
donas impulsivas das demandas dos poros

É selvagem a contagem dos que se multiplicam
e na hora da saudade, explicam inúteis,
que o vazio mora na suficiência de estar-se.

São cinco contra um;
dez contra um;
vinte contra um;
mas, longe fica o coração.

:

-Adeus, largam as mãos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Cavalgada

_A base da taça vira marca suada sob a mesa em que me debruço, e o vinho bruto chacoalhando entre meus lábios deixa degustada a reflexão, e muito mais que uma impressão, é uma ânsia que só se saceia com a presença, então não me apresso e aceito a condição.

__"Digo agora, por entre os passos que estas marcas me deixam, os bordados que te apetecem, depois que as tuas linhas se posicionaram no meu corpo, agora (sem)pre, depois. E isto pode ser uma carta, uma carta que pode nunca até ti chegar, pois não é o teu destino a subliminaridade rarefeita, e nem a tenho nas mangas: é uma jogada lançada ao vento, assim que diante de ti, me despi; e não são tão esclarecedoras estas palavras, pois são suspiros, e a voracidade, devora.
__E como quem conduz, tua boca de dentes famintos e minha fome de caminhos insaciados encontraram-te sem o apelo do tempo a lembrar-nos do garantido ou do premeditado, mas sim, do confiável por entrega plena. E entre indagações que estreitaram as direções de nossas bocas, o pescoço à curvar-se, e a abertura que buscou um ao outro, pela boca não foi resposta, mas trouxe o encontro das incógnitas num só corpo. A expressão inteiriça de que não demora a dúvida a transpor um segredo, e entre transparências é só luz, reflexo de um gozo perfeito.
A transfusão que não revela, mas encontra as horas na condição perfeita de sua existência: esquecê-las para desfrutas apenas de suas passadas, e nos frutos deixar passar provas - para nas mesmas guardar o toque na realidade, por lembranças. A sinfonia tênue do que conhece-se com a liberdade de transpor a vida com o espaço de si próprio, e existe ambíguo, e doce, tão rude que seduz e o turbilhão que vira silêncio é troco perfeito pra vontade que não se mede e selvagemente, se conduz.

Os suspiros que escalaram alto, derreteram-se nas precisões de teus feitos, e os chamados que pude condensar em palavras são os artefatos que não farão esquecer e latejam agora, nos sulcos de minha pele que inflama a lascívia entre a dor que suplica, e o teu abraço cálido e ternuroso a me fazer existir, existir.
__ Por quem vive de mãos dadas e não se alcança por espaços de um mundo sem compasso, nossos braços colidem, e a vontade se contrai enquanto minha mão te buscar como o
sintoma de minha caligrafia, tua voz será o gesto mais sublime do que indica-se como a vida: uma grave ordem, o rumo de uma despedida que se desconcerta e se provoca na espera de um próximo encontro."

_Como um diamante, nu e bruto, recaio selvagem e a minha natureza é de um cru que não é virgem, mas é puro como sábio, assim, um bicho, impossível e tentador.

Ah, eu volto (justo quando venho),
_________________________________________Antonina.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A plataforma do atemporal

Sonhara numa atmosfera tão plena que o único despertar pra realidade
foi o coração pulsando frenético, o relógio de seus momentos
As palmas estavam unidas, querendo prender os instantes por entre os dedos
que nada mais podiam além de tatear seu rosto, segurar as lágrimas da impressão de que o mundo era muito menor do que as reais sensações.

Transcendeu seu espaço com o respirar fundo e puro
de que os personagens prosseguiam ali,
e o mundo confuso, era só um peito angustiado
Pronto para no próximo abraço,
para o instante
de entender calmo
a fragilidade real de um coração, e vivenciarem.