domingo, 15 de março de 2009

''...If I could be who you wanted, all the time...''

As mãos apalpam, e grudam na textura que depois de decifrada,
é mistério pra alma:
será que guarda sinestesia além desse epitélio?
O epitélio que não passa de um suspense desse desejo que se esconde além de camada sabida
é fonte desejada, indecifrada saciação por matéria em falta. falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.falta.
Pois do que apalpa as mãos, rabiscam as unhas escrevendo anseios
Tintas de secreções minhas, linhas de digitais, únicas humildades dos toques,
habilidades sublimes do acaso que não se escolhe,
mas pede-se para que domine... e além da posse,
é da falta que elas falam pra produzir e gerar o ar
a enfeitar o vácuo em que se esbaldam (vãs), e se fecham, no vazio das mesmas palmas...

Alisam para que entendam,
friccionam para que persista
a conexão suja dos sentidos com o engano
de que a falta sumiu na poeira que não cola nas mãos limpas,
só invade a alma límpida que no móvel imóvel se fixou.

Muda a escrivaninha de lugar,
mas o lugar, continuou;
indelével submissão de dedos,
e o rosto que se esconde neles se esfrega
como bicho no cio
que se comove recriado nas pontas dos dedos e da escrita,
mas sem qualquer salvação.

Deita sobre o leito das palmas unidas
essa impressão que não passou dos instantes,
e estalou nos dedos impacientes
essas palavras abarrotadas, inconsequentes,
donas impulsivas das demandas dos poros

É selvagem a contagem dos que se multiplicam
e na hora da saudade, explicam inúteis,
que o vazio mora na suficiência de estar-se.

São cinco contra um;
dez contra um;
vinte contra um;
mas, longe fica o coração.

:

-Adeus, largam as mãos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Cavalgada

_A base da taça vira marca suada sob a mesa em que me debruço, e o vinho bruto chacoalhando entre meus lábios deixa degustada a reflexão, e muito mais que uma impressão, é uma ânsia que só se saceia com a presença, então não me apresso e aceito a condição.

__"Digo agora, por entre os passos que estas marcas me deixam, os bordados que te apetecem, depois que as tuas linhas se posicionaram no meu corpo, agora (sem)pre, depois. E isto pode ser uma carta, uma carta que pode nunca até ti chegar, pois não é o teu destino a subliminaridade rarefeita, e nem a tenho nas mangas: é uma jogada lançada ao vento, assim que diante de ti, me despi; e não são tão esclarecedoras estas palavras, pois são suspiros, e a voracidade, devora.
__E como quem conduz, tua boca de dentes famintos e minha fome de caminhos insaciados encontraram-te sem o apelo do tempo a lembrar-nos do garantido ou do premeditado, mas sim, do confiável por entrega plena. E entre indagações que estreitaram as direções de nossas bocas, o pescoço à curvar-se, e a abertura que buscou um ao outro, pela boca não foi resposta, mas trouxe o encontro das incógnitas num só corpo. A expressão inteiriça de que não demora a dúvida a transpor um segredo, e entre transparências é só luz, reflexo de um gozo perfeito.
A transfusão que não revela, mas encontra as horas na condição perfeita de sua existência: esquecê-las para desfrutas apenas de suas passadas, e nos frutos deixar passar provas - para nas mesmas guardar o toque na realidade, por lembranças. A sinfonia tênue do que conhece-se com a liberdade de transpor a vida com o espaço de si próprio, e existe ambíguo, e doce, tão rude que seduz e o turbilhão que vira silêncio é troco perfeito pra vontade que não se mede e selvagemente, se conduz.

Os suspiros que escalaram alto, derreteram-se nas precisões de teus feitos, e os chamados que pude condensar em palavras são os artefatos que não farão esquecer e latejam agora, nos sulcos de minha pele que inflama a lascívia entre a dor que suplica, e o teu abraço cálido e ternuroso a me fazer existir, existir.
__ Por quem vive de mãos dadas e não se alcança por espaços de um mundo sem compasso, nossos braços colidem, e a vontade se contrai enquanto minha mão te buscar como o
sintoma de minha caligrafia, tua voz será o gesto mais sublime do que indica-se como a vida: uma grave ordem, o rumo de uma despedida que se desconcerta e se provoca na espera de um próximo encontro."

_Como um diamante, nu e bruto, recaio selvagem e a minha natureza é de um cru que não é virgem, mas é puro como sábio, assim, um bicho, impossível e tentador.

Ah, eu volto (justo quando venho),
_________________________________________Antonina.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A plataforma do atemporal

Sonhara numa atmosfera tão plena que o único despertar pra realidade
foi o coração pulsando frenético, o relógio de seus momentos
As palmas estavam unidas, querendo prender os instantes por entre os dedos
que nada mais podiam além de tatear seu rosto, segurar as lágrimas da impressão de que o mundo era muito menor do que as reais sensações.

Transcendeu seu espaço com o respirar fundo e puro
de que os personagens prosseguiam ali,
e o mundo confuso, era só um peito angustiado
Pronto para no próximo abraço,
para o instante
de entender calmo
a fragilidade real de um coração, e vivenciarem.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O sofrimento da árvore galhuda, o caminho D'ele - lindo e livre

Primavera se foi... e com ela o calor aguçou a sensação do querer por estar livre. A árvore galhuda, no seu chão inabalável por raízes fortes, e lindas flores que abandonou para conceber novas, estava inclinada à vitalidade do tempo, e dentro dela, certa angústia a secava, mas o casco ainda era belo, o passarinho lindo e livre sempre voltava.

(Sorriso)

_Em um dia destes, passarinho vôou e deixou os pequeninos gravetos que aninhou como um arranjo para a beleza dos galhos da árvore, e se foi. Voltara hora ou outra para falar-lhe do tempo ruim, mas nunca mais da canção de amor que ouvira de seu tímido bico.

O olhar opaco de um passarinho lindo secou a árvore, e as nuances vitais viraram palidez que diriam apenas, reflexo do sol.

_Ela se êxpos, o sol a secou enquanto desarmou-se para estar sempre à vista do pássaro. Mas ele é livre, e ela é só dela mesma. As flores de cores fracas estão berrantes de um ciclo doloroso, pois queima o ninho, e o estado dessa solidão ecoa nos cantos distantes, no ''Bom Dia'' educado que lhe dá sem maldade, mas também, sem a unha que lhe crave desenhos e todo dia marque a vida com um sonho bom.

_Pois a existência dela é mutável, e as folhas caem sobre ela, ficam em seus galhos inclinando o espaço que ficou para quem a guardava. O vento conduz mas não dissipa, e os galhos, tão atraentes, agora são sombra que não atraem aquele que quer o sopro do mundo, a falta de tom.
_A manhã agora tem um Quê inexato, como se o tempo recolhesse suas bagagens enquanto se muda, ela sobrou.
Um ornamento de última viagem, mas recolhido recanto de primeira paisagem e conforto, no mesmo lugar; mesmo que mude.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

I N T E R M I S S I O N (II)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Homem e a sua doença

Um caminho curto pra distrair o que é imprescindivelmente longo, ou ainda, de tamanho impreciso é inerente a curiosidade incontida, a vontade de expressar o manifesto, e olha-se de soslaio para o que na mesma matéria, à esse homem culpa prende.
O tácito desejo cálido que percorre tão ávido os instintos de devorar-se; de boca húmida e desejo rijo, em ocupação distante a mente ilusiona a vida diferente, das dores, quase imune. Pudera o homem ver sua alma de fronte ao espelho quando se repara, se apronta, enquanto se consome, não percebendo que os seus sentidos se tornam todos bocas devoradoras, e o medo é fome, a confusão é gula e a ânsia é mais e mais...! Ah os seus nervos não se alongam ou partem as pontas em longos sorvos ou curtos casos; a memória não subtrai o que é cru, o coração não dissipa o que lhe ocorre.
E na divisão a falta indica o íntegro, a sensibilidade a tona, a natureza do grito, e por conseguinte, o suspiro, o elevar de um poro, a lembrança ao tom em ouvidos, o olfato é a memória que o sentido de avistar observa longíquo tudo o que lhe trouxe sem comprometer-lhe, bastou-lhe formar o peito como abrigo para ter o afago tímido de saber encontrar-se. é na lonjura que a silhueta se apronta por inteiro, e se é medo, assombra, e se é amor, se entrega.
As descobertas restantes são átimos do que não se conclui no selvagem que nos contorna no ritmo das palavras, no frenesí que a sabedoria humana conserva nos escritos da memória de comportar o viver, e no deslize, uma vivência que se reforma na pele que pétala dissipa,
é a Flor do homem que renasce; é a verdadeira história de todos os causos que a febre ansiosa do Homem e sua doença, soubera anestesiar. (-maldita hora)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

(''...I can't) Wash (you out my skin..'')

Despiu a escolha de uma hora, e marcavam-se todos os momentos pelo que lhe restava: o maior órgão, a pele tanto tracejada pelo apelo do dia que suportara, quanto pelos sinais desde o nascimento - intransponíveis consagrações do tempo. Abriu as portas do atemporal quando libertou-se afinal, a porta lhe deu mais um espaço livre à mente - ainda na abertura que o comum pode lhe oferecer.
Abriu o registro do indestrutível, alinharam-se as linhas do esperado: gotas e gotas de calma e nostalgia. As principiantes desceram sob seu corpo, marcando as glândulas de seu peito como porto, que chegam e escorrem, pra vivificar o sentir: um sopro que fecha os olhos. E flui como a água a transparência do sentir, como vibram os poros com a tênue prioridade de lavar, a alma.

Ali germinara a conexão do vital, ligando todos
os pontos a matéria de estar emocionada simplesmente real, como o instante para alimentar o inexplicável; e falando dele para existir melhor, existindo-se para ser mais segura. Carmen, uma flor em desabrochar; as gotas lhe caem repentinas e densas, pesam e desequilibram, fechando os olhos para os sentidos restantes vibrarem aos solos necessidades em seus valores, limpa os vícios, retira os pudores, deixa o limpo claro e o claro tão límpido que rasa a pétala suspende a pele para o maior artifício: conhecer-se.


Deixa a pele com o cheiro da pétala mais sublime, pois a matéria da nostalgia abriu as portas e ao personificar-se vem ao teu encontro, abraçar-te.